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terça-feira, 6 de setembro de 2022

O que desejam as nossas emoções?

 

As emoções tornam-se nossas aliadas na medida em que revelam e ajudam a satisfazer as nossas necessidades: sobrevivência, afeto, nutrição, comunicação e relacionamento, entre outras.

As emoções preparam-nos fisiologicamente para a ação, por exemplo na reação imediata ao medo, funciona como um alerta ou aviso, deste modo não necessitamos muito de pensar, a intenção é a sobrevivência.

Outra relevância sobre as emoções são as micro expressões ou a comunicação através da linguagem não verbal.

85% da nossa comunicação é não verbal, ou seja, comunicamos através da linguagem, postura, gestos e fisiologia do nosso corpo. São as emoções que gerem esta linguagem, caso não tenhamos consciência absoluta do que estamos a transmitir. Mais uma vez não é o pensamento racional que coordena esta mensagem, a não ser que o façamos conscientemente, claro.

A bússola emocional

As emoções não são nem negativas nem positivas, não têm esse registo intenciona,, nõs é que as avaliamos como boas ou más, a verdade é que se pensarmos bem e entendermos a nossa mente emocional, não existem más intenções no que diz respeito às emoções: têm o seu propósito, são válidas e atendem as nossas necessidades.

Raiva/Ira: Através do sentimento de injustiça e quando os nossos direitos foram violados, experienciamos esta emoção – necessidade ou desejo de proteção.

Medo/Angústia: Através da perceção de perigo, procuramos sentir segurança ou conforto.

Tristeza/Melancolia: Com a perda ou a falta de algo/alguém, procuramos o consolo, satisfação e conforto emocional.

Alegria/Felicidade: Vivenciamos estas emoções quando ganhamos ou conquistamos algo, um objetivo por exemplo. Por norma partilhamos estas emoções com mais facilidade.

Agora questiono: se não sentíssemos a raiva ou a tristeza, conseguiríamos compreender e aceitar as perdas ou aquilo que nos faz falta?

Estratégias para regular as nossas emoções

As emoções funcionam como um guia ou um GPS, como já perceberam. Agora é importante decidir o trajeto mais acertado para as nossas vitórias, sejam estas quais forem.

Primeiro é importante:

1.    Compreender – a autoempatia é fundamental na inteligência emocional de cada um de nós. Aprender a conhecer cada emoção e porque ocorrem, quais são os gatilhos ou comportamentos que evocam cada emoção. O que estou a sentir agora?

 

2.    Reconhecer – Estar ciente da emoção do momento ajuda a geri-la, de modo a diferenciá-la das outras similares que ocorrem com gatilhos diferentes. Reconhecer as situações e os momentos vividos: estou triste ou zangado, por exemplo? Assim podemos agir em consonância com cada emoção diferente e sentirmos mais empatia pelos outros que “culpabilizamos” por este sentir.

 

3.    Tolerar – Devemos tolerar o que nos está a acontecer no momento, as emoções não são eternas, não as vamos viver sempre intensamente, portanto é possível dar espaço, ou fazer outra atividade de modo a deixar dissipar o “calor” da emoção que está no momento presente.

 

4.    Autoregular – O conhecimento das emoções traz clareza pessoal e autocontrole. Se entendermos que não vale de nada irmos contra aquilo que estamos a sentir, é muito mais fácil gerir as emoções. Significa que temos de realizar os passos estratégicos, referidos acima, entender os nossos pensamentos, pois estes é que vão gerir as emoções, na medida em que tudo se torna mais consciente. Podemos controlar a intensidade, impulsividade, culpas ou responsabilizações alheias e depois deixar assentar o bem-estar.

 

5.    Comunicar – Expressar a emoção e transmiti-la às pessoas ao nosso redor para procura de apoio.

As emoções ajudam-nos a entender os nossos desejos e se bem escutadas, ensinam-nos qual o melhor caminho a seguir. Sem este entendimento não conseguimos comunicar ou até sobreviver, uma vez que reagimos com base neste autoconhecimento. Desta forma também podemos desenvolver a nossa empatia pelo próximo. Seria um mundo ideal se assim fosse?!

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

As emoções denunciam as nossas necessidades

A necessidade humana através das emoções.

unsplash.com


Estar atento aquilo que sentimos é como puxar um fio de um novelo de necessidades pessoais.
A tristeza, a raiva, a felicidade, a alegria, a angustia ou a euforia são alguns exemplos de emoções que desvendam o que desejamos.
Qual é o recurso que sustenta cada uma delas, inconscientemente?
Não choramos ou rimos sem propósito.
Pode ser um escape, uma distração ou até uma libertação para além de regular fisiologicamente o nosso corpo e mente em simultâneo.
Sem este autoconhecimento, estas emoções que não são compreendidas, podem desencadear ações comportamentais ainda mais drásticas.
O que eu faço com o que sinto é responsabilidade minha. Se compreendo ou não é um problema que pode ser resolvido com a ajuda de um profissional ou através da leitura didática, por exemplo.
Por isso, não descartem as vossas emoções, nunca!

quarta-feira, 13 de julho de 2022

Como sarar as feridas emocionais?

As feridas emocionais surgem na nossa infância e depois são transportadas para a nossa vida adulta, na maioria das situações ocorrem na nossa juventude, na melhor altura, visto não possuirmos maturidade ou desenvolvimento pessoal e emocional capaz de entender o mundo.

Algumas feridas acompanham sempre “abertas” atribuindo culpa aos nossos comportamentos incompreendidos, aos nossos medos, às nossas inseguranças, emoções e bloqueios que incapacitam a nossa vivência enquanto seres emocionais.

Numa metáfora eu vou elaborar as cicatrizes, são aquelas feridas que fecharam. Mas será que fecharam mesmo? Estarão saradas as memórias ou emoções deixadas naquela cicatriz? A cicatriz funciona como um âncora, eu até posso não me lembrar do acontecimento mas a marca está lá. A única diferença é que pode não criar mal estar, pode esytar mesmo resolvido o assunto que a envolve.

As feridas causam dor, as cicatrizes não. Eu posso afirmar que cicatrizei uma ferida qando esta já não me causa dor.

As feridas emocionais

 

1.    Abandono: atribuição da incapacidade de proteção por parte dos pais, tutores ou educadores, na infância.

As marcas emocionais refletem-se através do medo e insegurança de serem abandonados em adultos.

 

2.    Rejeição: atribuição de falta de compreensão por parte dos pais, uns dos fatores mais importantes  no desenvolvimento da criança é a sua segurança emocional que depende do afeto e do carinho.

As marcas emocionais refletem-se na desconfiança exacerbada e afastamento emocionais pelos seus pares.

 

3.    Injustiça: atribuição de sentimento de igualdade ou justiça, em criança, perante os outros: colegas, irmãos, etc.

As marcas emocionais refletem-se na insegurança e incapacidade própria de solucionar ou resolver os seus problemas. Também podem tornar-se inseguros na conquista dos seus objetivos.

 

4.    Traição: atribuição de sentimentos de desonestidade, desconfiança e insegurança no cumprimento de promessas feitas pelos pais ou os seus pares.

As marcas emocionais podem refletir, numa fase adulta, a sua própria má conduta, no que diz respeito a ser leal e fiel aos outros, para se autoproteger de outras possíveis traições e/ou tornar-se muito inseguro ao confiar nos outros.

 

5.    Humilhação: atribuição de desprezo, culpa e constrangimento familiar e/ou social. Dependendo do grau de humilhação vivido, pode gerar trauma ou fobia a determinadas situações.

As marcas emocionais podem espelhar a fobia recalcada e fraqueza na tomada de decisões, falta de autoconfiança e autoestima.

Cuidar da minha Criança Interior

Após reconhecer uma ou mais feridas, é preciso entender se a ferida já cicatrizou.

Todos nós vivenciamos, uma ou mais feridas e não têm mal nenhum, o importante é reconhecer que elas existem ou existiram e que podem ser cuidadas e cicatrizadas.

Cuidar implica ser afetivo e compreensivo. Com quem?

Aqui o/a leitor(a), poderá comunicar em diálogo interno, o exercício seguinte sobre autocompaixão. Esta é a orientação:

O amor é o melhor cicatrizante e a cura não poderia vir de uma melhor médica: eu própria.

 

1.    Entender, compreender e aceitar a minha dor: para a minha C.I. se sentir acolhida, tenho de a receber num lugar seguro e não se sentir julgada. O autojulgamento impede esta cicatrização. A relação e importância das minhas emoções, dependem daquilo que eu faço com elas. Eu escolho, eu decido, eu mudo.

“Eu sou livre de culpa, mereço apenas amor e cuidado.”

 

2.    Perguntar: o que preciso? Em criança eu não recebi (sim ou não), tudo o que precisava. Então hoje, em adulta posso dar aquilo que realmente necessito de receber. (Esta é uma prática ou pacto de compromisso entre a criança interior e o ser adulto.)

“Estarei sempre atenta às minhas necessidades”.

 

3.    Autogentileza: é muito comum, eu exigir demasiado de mim, talvez porque em criança fui obrigada a isso. Mas hoje, posso escolher sem complacente e gentil comigo mesma. Basta entender a urgência e prioridade nas coisas que tenho para realizar. Será importante fazer isto já? Posso adiar?

“Eu mereço o meu respeito”.

 

4.    Cuidar de mim, em primeiro lugar não é egoísmo e sim priorizar as minhas necessidades e não necessito de aprovação externa para o fazer.

“Eu coloco-me em primeiro plano”.

 

5.    Celebrar conquistas: quantas vezes não recebi congratulações e reconhecimento dos outros? E minhas? Saber celebrar as minhas conquistas é a minha recompensa e é muito satisfatório quando me mimo com as coisas que gosto.

“Eu celebro e saboreio cada vitória”.

 

6.    Disciplinar-me, automotivar as minhas metas e atingir objetivos. Muitas vezes obtenho frustração quando não alcanço o que quero. É importante determinar quais são as minhas metas e estabelecer um plano de execução e ação para esta finalidade.

“A minha C.I. confia em mim para se sentir orientada e segura”.

 

Se experimentarem uma vez, este exercício, acreditem que valerá a pena, este início de transformação e autodescoberta.

terça-feira, 5 de julho de 2022

Avaliação online: Gratuíta

 Sessão de avaliação, online com duração de 45 minutos.

Aspectos a ser avaliados:

  • Estado atual e Estado desejado
  • Autoestima e satisfação pessoal
  • Automotivação
  • Objectivos, foco e disciplina
  • Tomada de consciência e tomada de decisão
  • Valores pessoais e missão de vida
  • Plano de ação



quinta-feira, 30 de junho de 2022

Como espelhamos a nossa mente?

Será possível que aquilo que me incomoda no outro, é exatamente o que me incomoda em mim, sem que eu tenha essa consciência?

Por exemplo: quando observamos um determinado comportamento que nos cria revolta ou desgosto, possivelmente estamos perante um reflexo nosso ou de alguém que nos é ou foi importante. Esta é a chamada, “Lei do Espelho” ou Espelhamento: reflete atitudes, comportamentos ou características que residem no nosso interior e que acabamos por ver “espelhadas” nos outros.

Portanto, sim é possível, o exterior atua como um espelho na nossa mente, onde para além dos defeitos, também é possível “ver” as qualidades e virtudes da nossa essência. Quando isto acontece, ou nos aproximamos dos outros por similaridade aparente ou nos afastamos pelas diferenças ou incoerências encontradas.

O “defeito” que revemos está no exterior ou em nós mesmos?

A lei do espelho define que o nosso inconsciente nos faz pensar que o defeito identificado no outro, existe apenas no exterior e não em nós, devido à própria projeção psicológica que realizamos nesse momento. A projeção psicológica é um mecanismo de defesa: atribuímos aos outros, os nossos sentimentos, pensamentos, crenças ou até mesmo ações próprias que são inaceitáveis para nós.

A não perceção e a não-aceitação deste fato, gera conflito e alguma incoerência e portanto para a maioria de nós nunca se torna visível ou consciente este ato em si: esta projeção atua durante momentos onde nos sentimos mais ameaçados fisicamente e emocionalmente e portanto ativa o sistema de rejeição para nos afastar da aparente ameaça.

Como estas projeções podem ser negativas ou positivas, podemos construir um mundo com as nossas características pessoais, boas e más, um bom exemplo é quando nos sentimos apaixonados e atribuímos à pessoa que nos interessa, certas características que nos pertencem. Este é um otimo reflexo ilusório, que ocorre numa fase de conhecimento e reconhecimento precoce numa relação.

Ampliar a nossa consciência e felicidade

Tomar consciência daquilo que projetamos nos outros, permite maior autodescoberta e autoconhecimento: quem somos nós de verdade?

Assim teremos mais controle e posicionamento face à gestão das nossas ações e emoções. Permite também fazer mudanças, tomar decisões mais assertivas.

A lei do espelho permite apreender, utilizando a nossa inteligência emocional: que tudo o que me agrada ou incomoda no outro, está em nós e não nos outros, é o nosso “coração” que está ferido ou magoado, é a nossa mente emocional que carece dessa atenção e cuidado.

Vamos à Pratica…

 

Escolham uma pessoa com quem têm um conflito, alguém que vos tenha feito sentir algum aborrecimento ou ofensa.

Agora escrevam num papel uma lista de agradecimento, sem julgamento: “sou grato a X, por ter feito Y, etc.”

Em seguida leiam em vós alta ou visualizem a lista, ponto por ponto. O que sentem com este gesto?

Propósito: com certeza que existem coisas positivas a agradecer, este ato insurge em nós em forma de gratidão. A gratidão é a melhor forma de receber, dando ou oferecendo amor a alguém ou por algo que nos aconteceu no passado. Este exercício exige capacidade de autoperdoar e de o fazer com humildade.

A próxima vez que se cruzarem com a pessoa ou pessoas em quem pensaram, será um contato diferente pois a mudança já ocorreu no vosso interior.

O resultado geralmente é surpreendente!

quarta-feira, 8 de junho de 2022

Aprender a arte do desapego.

Desapegar é libertar-se das âncoras materiais e emocionais, muito entendido pelo público em geral como desinteresse ou mesmo: egoísmo!
Só que... Não.
Sabem aquela sensação de que quando "desistimos de insistir" soa a fraqueza? É quase surreal mas a verdade é que deixar de insistir em fazer ou estar sujeito a situações tóxicas, significa ter: coragem para seguir em frente. 
Não devemos sujeitar a nossa mente e corpo a algo que nos aflige, que nos bloqueia, que não impulsiona a nossa ação em direção aos nossos objetivos.
Portanto este desapego por aquilo que não queremos, para nós, parte de uma tomada de decisão após abrirmos a nossa consciência no presente, no agora!
Esta liberdade emocional preenche-nos com mais honestidade pelos nossos valores e necessidades, permite um maior crescimento interior para atingir outro nível de equilíbrio.
Em suma, desapegar é fazer uma escolha consciente daquilo que se pretende, seja boa ou má para quem nos rodeia.
O objetivo não é ferir o outro, é escolher- me e colocar-me em primeiro lugar.